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🇵🇹 Direito do trabalho português | Código do Trabalho

Carta de despedimento: fundamentos, aviso prévio e compensação

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A cessação do contrato de trabalho pelo empregador é das decisões com mais risco jurídico para uma empresa: falta de fundamentação, um procedimento disciplinar mal conduzido ou um aviso prévio curto levam à ilicitude do despedimento e a indemnizações. Conheça as modalidades do Código do Trabalho — despedimento por facto imputável (arts. 351.º a 358.º), coletivo (arts. 359.º a 366.º), por extinção do posto de trabalho (arts. 367.º a 372.º) e por inadaptação (arts. 373.º a 379.º).
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Portugal: Requisitos legais e critérios essenciais

Aviso prévio do empregador
15 a 75 dias

Em função da antiguidade: 15 dias até 1 ano, 30 dias de 1 a 5 anos, 60 dias de 5 a 10 anos e 75 dias a partir de 10 anos (art. 363.º, n.º 1, e art. 371.º, n.º 3, CT).

Forma e procedimento
Comunicação escrita

A cessação é comunicada por escrito; o despedimento por facto imputável exige procedimento disciplinar com nota de culpa (arts. 351.º a 358.º CT, nota de culpa no art. 353.º).

Compensação
Arts. 366.º, 372.º e 379.º CT

Só nas causas objetivas: despedimento coletivo (art. 366.º), extinção do posto de trabalho (art. 372.º) e inadaptação (art. 379.º).

Certificado e conta final
Art. 341.º CT

Entrega do certificado de trabalho e acerto de férias vencidas e proporcionais dos subsídios de férias e de Natal.

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Despedimento por facto imputável: justa causa e procedimento disciplinar

Só existe justa causa quando o comportamento culposo do trabalhador, pela sua gravidade e consequências, torna imediata e praticamente impossível a subsistência da relação de trabalho (art. 351.º CT). O despedimento exige procedimento disciplinar escrito:

  • Nota de culpa: comunicação escrita da intenção de despedir, com descrição circunstanciada dos factos imputados ao trabalhador (art. 353.º CT).
  • Audição: o trabalhador tem de ser ouvido antes da decisão (art. 355.º CT). Se a presença na empresa se mostrar inconveniente, pode haver suspensão preventiva com pagamento da retribuição (art. 354.º CT).
  • Decisão fundamentada: por escrito, com indicação dos factos e da data de cessação do contrato (art. 357.º CT). Nas microempresas aplica-se um procedimento simplificado (art. 358.º CT).

Falhas no procedimento — factos novos que não constam da nota de culpa, ausência de audição, prazos ignorados — são a principal causa de ilicitude do despedimento.

Despedimento coletivo e por causas objetivas (arts. 359.º a 372.º CT)

Quando o motivo não é o comportamento do trabalhador, mas a situação da empresa, existem três vias distintas:

  • Despedimento coletivo (arts. 359.º a 366.º): exige comunicações à estrutura representativa dos trabalhadores, fase de informações e negociação e decisão escrita a cada trabalhador abrangido (art. 363.º).
  • Extinção do posto de trabalho (arts. 367.º a 372.º): fundamentada em motivos de mercado, estruturais ou tecnológicos, com requisitos cumulativos (art. 368.º) e prova dos critérios de determinação do posto a extinguir (art. 371.º).
  • Inadaptação (arts. 373.º a 379.º): incapacidade superveniente para o posto de trabalho, em situações como redução continuada de produtividade ou de qualidade, avarias repetidas nos meios afetos ao posto ou riscos para a segurança e saúde (art. 374.º).

A decisão tem de ser escrita e indicar o motivo, a data de cessação e o montante, a forma, o momento e o lugar de pagamento da compensação e dos créditos vencidos (arts. 363.º, n.º 1, e 371.º, n.º 2).

Aviso prévio e compensação que tem de pagar

Nas cessações não disciplinares, o aviso prévio é de 15 dias com antiguidade inferior a 1 ano, 30 dias entre 1 e 5 anos, 60 dias entre 5 e 10 anos e 75 dias a partir de 10 anos (art. 363.º, n.º 1, no despedimento coletivo e art. 371.º, n.º 3, na extinção do posto de trabalho). Se o prazo não for cumprido, o contrato cessa decorrido o aviso prévio em falta e a retribuição desse período tem de ser paga (art. 363.º, n.º 4).

A compensação é devida nos despedimentos por causas objetivas: no despedimento coletivo nos termos do art. 366.º, na extinção do posto de trabalho nos termos do art. 372.º e na inadaptação nos termos do art. 379.º. O pagamento deve estar à disposição do trabalhador até ao termo do prazo de aviso prévio.

Durante o período experimental a denúncia não exige justa causa nem aviso prévio; apenas o empregador tem de avisar com 7 dias (período experimental superior a 60 dias) ou 30 dias (superior a 120 dias) — art. 114.º CT.

Proteções especiais, certificado e conta final

Antes de decidir, verifique se o trabalhador está numa situação com proteção reforçada: gravidez, puerpério e lactação, gozo de licença parental, representação dos trabalhadores ou cargos sindicais. No caso de trabalhadora grávida, puérpera ou lactante é obrigatório o parecer prévio da CITE (art. 63.º CT); a sua falta torna o despedimento ilícito.

No fim do contrato deve entregar o certificado de trabalho com as datas de admissão e de cessação e o cargo ou cargos desempenhados (art. 341.º CT) e a declaração de situação de desemprego (modelo RP 5044) nos 5 dias úteis seguintes ao pedido do trabalhador (art. 43.º do Decreto-Lei n.º 220/2006). Elabore a conta final com as retribuições em dívida, as férias vencidas e não gozadas e os proporcionais dos subsídios de férias e de Natal, e cumpra as comunicações à Segurança Social e à Autoridade Tributária. Um despedimento ilícito pode obrigar à reintegração do trabalhador e ao pagamento de indemnização (arts. 389.º e 390.º CT).

Aviso prévio e formalidades no Código do Trabalho

Situação / Instrumento Aviso prévio típico Base legal e observações
Denúncia pelo trabalhador 30 ou 60 dias Art. 400.º, n.º 1, CT – 30 dias até 2 anos de antiguidade e 60 dias a partir daí; nos contratos a termo, 30 ou 15 dias (n.º 3)
Despedimento por causas objetivas 15 a 75 dias Despedimento coletivo (arts. 359.º a 366.º) e extinção do posto de trabalho (arts. 367.º a 372.º) – aviso prévio do art. 363.º, n.º 1, e do art. 371.º, n.º 3; compensação nos arts. 366.º e 372.º
Despedimento por facto imputável Procedimento disciplinar Arts. 351.º a 358.º CT – justa causa, nota de culpa (art. 353.º), audição e decisão fundamentada
Período experimental Conforme a duração Arts. 111.º e 114.º CT – denúncia durante o período experimental, com aviso prévio reduzido de 7 ou 30 dias

Como cessar o contrato em segurança (4 passos)

1

Identificar o instrumento aplicável

Confirme a convenção coletiva, o contrato e a antiguidade para determinar o aviso prévio e a eventual compensação.

2

Fundamentar e documentar

Nas causas objetivas (arts. 359.º a 372.º) indique factos e critérios; no facto imputável (arts. 351.º a 358.º) instaure o procedimento disciplinar com nota de culpa (art. 353.º).

3

Comunicar por escrito

Entregue a comunicação em duplicado com recibo ou envie por correio registado com aviso de receção.

4

Entregar certificado e conta final

Emita o certificado de trabalho (art. 341.º CT), elabore a conta final e cumpra as comunicações legais.

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É o trabalhador que quer cessar o contrato?

FAQ

Sim. Nas modalidades não disciplinares a decisão é escrita e fundamentada, com o motivo, a data de cessação e o montante da compensação (arts. 363.º, n.º 1, e 371.º, n.º 2, do Código do Trabalho). No despedimento por facto imputável é obrigatória a nota de culpa, com descrição circunstanciada dos factos (art. 353.º).

Nas cessações não disciplinares é de 15 dias (antiguidade inferior a 1 ano), 30 dias (de 1 a 5 anos), 60 dias (de 5 a 10 anos) ou 75 dias (10 anos ou mais) — art. 363.º, n.º 1, e art. 371.º, n.º 3. No período experimental o aviso é menor: 7 ou 30 dias, conforme a duração (art. 114.º).

Nos despedimentos por causas objetivas, sim: despedimento coletivo (art. 366.º), extinção do posto de trabalho (art. 372.º) e inadaptação (art. 379.º). No despedimento por facto imputável não há compensação, mas as retribuições e os créditos vencidos até à data da cessação têm de ser pagos.

Entre outras, a proteção da gravidez, do puerpério e da lactação — com parecer prévio obrigatório da CITE (art. 63.º CT) —, dos trabalhadores em gozo de licença parental, dos representantes dos trabalhadores e dos titulares de cargos sindicais. Sem o cumprimento destes requisitos, o despedimento é ilícito.

Prepare a carta de despedimento como empregador

Crie a comunicação com o aviso prévio correto, a fundamentação exigida por lei e a menção dos documentos a entregar no fim do contrato.

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